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Museu do Corpo de
Fuzileiros Navais
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Pintura do portão do Forte do Meio com sentinelas do período colonial

Curiosidades sobre a Ilha das Cobras e os Fuzileiros Navais

Quatro séculos de história deixam muitas histórias para contar. Algumas estão nos livros; outras passaram de geração em geração entre os Fuzileiros Navais.

A ilha e a Fortaleza

Cartão-postal antigo do Quartel do Batalhão Naval na Ilha das Cobras, com a Baía de Guanabara ao fundo
Quartel do Batalhão Naval, Ilha das Cobras. Cartão-postal antigo

Por que o nome "Fortaleza de São José da Ilha das Cobras"?

  • Fortaleza: reunia três fortificações: o Forte de Santa Margarida (hoje Hospital Central da Marinha), o Forte do Meio, ou do Pau da Bandeira (hoje Presídio da Marinha), e o Baluarte de Santo Antônio.
  • São José: foi inaugurada em 19 de março, dia do santo.
  • Ilha das Cobras: segundo os monges de São Bento, havia tantas cobras que era possível vê-las nadando até a Ilha dos Ratos, hoje Ilha Fiscal. Em mapas franceses antigos, ela aparece como Ilha dos Monges.

De entreposto de pau-brasil a Quartel-General. Pedro Rodrigues recebeu a ilha de Estácio de Sá em 1565, por carta de sesmaria, e passou a explorar o pau-brasil. A ilha já pertencia ao mercador João Guterres Valério em 1583 e foi adquirida pelos beneditinos em 1589. Proibidos de participar de leilões, os monges nomearam um procurador não oficial, que arrematou a ilha e depois a doou ao Mosteiro. A posse passou definitivamente à Marinha só em 1910, e não por dinheiro: os beneditinos prometeram nunca mais tentar reavê-la.

Uma rainha no nome. O primeiro forte da ilha foi erguido em 1624 por Martim Corrêa de Sá. Ampliado em 1639, recebeu o nome de Santa Margarida, em homenagem a Margarida de Saboia, então regente de Portugal.

Santo Antônio, capitão de infantaria. O Baluarte de Santo Antônio foi erguido entre 1709 e 1711. Segundo a tradição, o santo teria ajudado a defender o Rio contra invasores e chegou a receber o título de Capitão de Infantaria.

O Rio sequestrado por um corsário. O corsário francês René Duguay-Trouin entrou na Baía de Guanabara sob forte neblina em 1711, tomou a Ilha das Cobras e bombardeou a cidade. O Rio ficou cerca de dois meses sob seu controle. Os franceses só partiram após receber um resgate de 600 quilos de ouro, 610 mil cruzados, cem caixas de açúcar e 200 bois. O episódio levou à construção da Fortaleza de São José, entre 1728 e 1736.

"A Pedreira". O prédio do Comando-Geral ainda é chamado pelos Fuzileiros de "A Pedreira". As encostas da ilha viraram uma pedreira a partir de 1725, e as pedras retiradas dali foram usadas em obras como o Convento do Carmo e o chafariz do Paço Imperial.

Alvo de dois bombardeios. O Quartel-General do Batalhão Naval, construído entre 1903 e 1906, foi atingido duas vezes: pelos navios rebelados na Revolta da Armada, em 1893, e em 1922, por disparos do Forte de Copacabana durante a Revolta dos 18 do Forte. As marcas de tiros ainda são visíveis na ladeira do Pórtico.

Aviões no pátio. Antes dos grandes prédios atuais, aviões pousavam e paraquedistas saltavam no pátio principal da Ilha das Cobras.

Gandulas da ilha. Quando a tropa jogava futebol no pátio, gandulas de plantão recolhiam as bolas na parte baixa da ilha. Elas subiam de volta içadas em sacos.

Pátio dos Milagres. Em frente ao antigo portão do Presídio da Marinha, poucos saíam sem perdão real. Sair por aquele portão era "um milagre".

As obras de arte

Quadro Pátria, de Pedro Bruno, no Salão Sete de MarçoQuadro de Miranda Júnior sobre a chegada da Família Real, no Salão Sete de Março

Turbantes, piolhos e folhas de pitanga. No quadro da chegada da Família Real, as folhas de pitanga no chão tentavam cobrir ruas sujas, numa cidade sem saneamento. Já os turbantes das damas escondiam as cabeças raspadas por causa de um surto de piolhos durante a viagem. As cariocas acharam que era moda europeia e passaram a usar turbante até no verão.

O quadro que voltou de Annapolis. O tríptico de Navarro da Costa retrata a visita do encouraçado USS Utah ao Rio, em 1928, trazendo o presidente eleito dos EUA, Herbert Hoover. Depois de decorar o Itamaraty, a obra passou anos na Academia Naval de Annapolis, nos EUA. Lá, o Comandante Salles, genro do pintor, a encontrou guardada num depósito e a trouxe de volta ao Brasil.

Uma família no quadro. O Almirante Serejo, ex-Comandante-Geral do CFN, era neto de Benjamin Constant e contava que as crianças da tela "Pátria", de Pedro Bruno, eram da família do avô. Uma delas seria sua própria mãe.

As tradições

Monumento ao gorro de fita na Praça do Gorro de Fita, na Ilha das Cobras
Praça do Gorro de Fita

O Gorro de Fita. O Capitão-Tenente Arthur de Azevedo Thompson criou o gorro em 1890, com inspiração escocesa. Usado por militares de todos os postos e graduações, é a peça mais antiga em uso nas Forças Armadas brasileiras.

A Oração à Bandeira nasceu aqui. Olavo Bilac leu a "Oração à Bandeira" pela primeira vez no pátio do Batalhão Naval, em 19 de novembro de 1915, diante do Presidente da República e de seus ministros. Na ocasião, o presidente Wenceslau Brás concedeu aos Fuzileiros Navais a honra de desfraldar o Pavilhão Nacional como símbolo próprio.

"Fuzileiro é superior ao tempo". A frase mais famosa da tropa nasceu na Ilha das Cobras. Foi dita pelo então Capitão-Tenente Protógenes Pereira Guimarães durante um temporal que impedia os Fuzileiros de descer para socorrer a cidade. Diz a tradição que o célebre "teje preso" também foi dito ali, a um charlatão que vendia um remédio "milagroso" contra a vontade de beber.

"Um Fuzileiro vale por três". Perguntado pelo General Westmoreland quantos homens comandava, o Almirante Heitor Lopes de Sousa respondeu "45 mil". Eram 15 mil, explicou, mas cada Fuzileiro brasileiro valia por três.

Por que "Sebastopol"? O cerco a Paissandu, por terra e água, lembrava a tomada de Sebastopol, na Crimeia. Os jornais da época chegaram a anunciar "Cai o Forte Sebastopol", e o apelido ficou.

A Parada Após o Pôr do Sol. A Fortaleza recebe a Parada Após o Pôr do Sol desde o sesquicentenário do CFN, em 7 de março de 1958. O "Paradão" celebra o aniversário da corporação com show de luzes e música da Banda Sinfônica.

O céu de 1808. As 162 estrelas da cúpula do Memorial foram posicionadas com base em mapas do céu de 7 de março de 1808, elaborados por um pesquisador do Observatório Nacional.

A música

Banda patrimônio do Rio. A música dos Fuzileiros Navais nasceu com a banda da Brigada Real, que chegou com a Família Real em 1808.

  • Hoje: a Companhia de Bandas reúne cerca de 300 militares, nas formações Marcial e Sinfônica.
  • Pelo mundo: tocou no Palácio de Buckingham (1952), para a Rainha Elizabeth II no Maracanã (1968) e no Edinburgh Military Tattoo, na Escócia (2011).
  • Patrimônio: a Banda Sinfônica do CFN foi declarada Patrimônio Histórico e Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro em janeiro de 2026 (Lei nº 11.089/2026).
  • Fuzibossa: o grupo nasceu em 1920 como Naval Jazz Band e ganhou o nome atual no fim dos anos 1950, em alusão à Bossa Nova.
  • Gaitas de fole: foram um presente da Rainha da Inglaterra ao navio que viria a ser o Cruzador Almirante Tamandaré.

No cinema e na história

Homenagem ao filme Fuzileiro do Amor, de Mazzaropi
Homenagem a Mazzaropi

Visitantes ilustres. Passaram pela Fortaleza, entre outros, o Cardeal Arcoverde, o Marechal Hermes da Fonseca, os presidentes Café Filho, Juscelino Kubitschek e Costa e Silva, os irmãos Gracie e a escritora Rachel de Queiroz.

Fuzileiro do Amor. Mazzaropi viveu nas telas, em 1956, um sapateiro trapalhão que entra para o CFN para agradar ao futuro sogro e é confundido com o irmão gêmeo, que era sargento Fuzileiro Naval.

São quatro séculos em uma visita

Gratuita e guiada. Grupos com 10 ou mais pessoas agendam pelo e-mail.

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